lord of the flies.

Como diriam os produtores do documentário Ilha das Flores, os seres humanos se distinguem dos outros mamíferos pelo seu telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor. Mas, além disso, podemos notar que desde a Antiguidade até os dias atuais os homens estabeleceram diversas formas de regime de governo que, de alguma forma, poderiam resultar na organização e ordem de uma determinada sociedade

Nesse mês, por indicação da Ana, terminei de ler o livro O Senhor das Moscas, de William Golding. Realmente, um livro muito intrigante. Não é o tipo de leitura que eu estou acostumada, e acabei demorando muito tempo pra terminá-lo. Mas ele basicamente conta de uma maneira bem simples a história de garotos que, na ausência de adultos, tentam organizar uma sociedade em uma ilha, logo após um acidente de avião. Como foi escrita nos primórdios da guerra fria, há toda uma influência pós-guerra que culmina na queda do avião. Intencionalmente ou não, o autor utiliza de simbolismos interdependentes. Cada pessoa naquela ilha representava diferentes papéis na sociedade como democracia (Raplh), fascismo (Jack), ciência (Piggy), propaganda ("Bicho"), fé (Simon), entre outros. Toda essa simbologia é, seja como for, interessante. Porém eu, particularmente, não gosto de discutir formas de poder.

Após ler alguns sites sobre o livro, encontrei outra simbologia que me pareceu muito mais chamativa. Ralph agora representava a consciência; Jack, instintos primitivos e animalescos; Piggy, a racionalidade; Simon, contemplação e intuição. Todos elementos contraditórios que estão presentes não apenas na sociedade, mas dentro de cada ser humano. Sendo assim, o que nos diferencia uns dos outros seria a "dose" de cada um desses e outros elementos secundários? Talvez assim como a sociedade, podemos até ter momentos em que temos a falsa impressão de passividade, mas as bombas sempre voltam a explodir. A diferença talvez esteja em como lidamos com a situação. Achei fantástica a maneira com que ele consegue ir além de análise social e expor os conflitos dentro da própria "psiqué" humana. Não foi à toa que o escritor ganhou o Nobel de Literatura. Há também o filme baseado no livro que assisti até a metade. Há coisas que você só entende se já tiver lido o livro, então não considero uma boa adaptação. Mas, é uma questão de opinião.

Estou com vontade de reler A Sombra do Vento, mas tem tanto livro na frente e tão pouco tempo! Não ando muito inspirada pra escrever, ainda mais quando a maioria são redações pro colégio. Estou pensando se participo do concurso de contos da fafiman, mesmo que até agora não saiba diferenciar com precisão dos outros tipos textuais. É isso. =)


Lendo: Drácula - Bram Stoker
O Mundo é Mágico - Bill Watterson
Ouvindo: New Shoes - Paolo Nutini